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Ações sustentáveis ganham espaço nos canteiros de obras, em Goiânia

06-06

Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no domingo (5), alertou mais uma vez sobre a necessidade do uso consciente dos recursos naturais. Em Goiânia, o termo sustentabilidade deixou o papel já começa a ganhar espaço no mercado imobiliário. Algumas construtoras desenvolvem ações e projetos que preveem desde o descarte correto do óleo de cozinha, até o reaproveitamento de madeira e construção de fossas ecológicas.

Pensando em resolver um problema pessoal, o desenhista projetista e administrador de empresas Mauro Augusto Silva idealizou um projeto para descarte correto de óleo de cozinha.

“A minha empregada sempre jogava o óleo na pia e, quando ele esfriava, ia se solidificando e ficava uma crosta nos canos. Assim, tínhamos problemas constantes com entupimentos. Fui pesquisar sobre o assunto e soube o quanto esse óleo é prejudicial, pois, além desses transtornos domésticos, ainda polui os nossos rios”, disse.

Estudando sobre o assunto ele criou o “Sistema de Granelização de Óleo de Cozinha”, que consiste em uma cuba instalada na cozinha, ao lado da pia, onde o material usado pode ser descartado. Por meio de um cano, ele leva o óleo até um tambor e, com uma bomba, transfere o produto para outro reservatório. Depois, um caminhão vai ao local e recolhe esse material.

“Pensei inicialmente em instalar esse sistema em prédios, pois normalmente os espaços são pequenos e seria muito prático que os moradores pudessem fazer esse descarte na própria cozinha. Aí, o caminhão pode ter o acesso ao reservatório com óleo pelo lado de fora do prédio, sem necessidade de entrada”, explica Silva.

O desenhista projetista diz que recebeu verbas do governo estadual para desenvolver o projeto, em 2010, e, no final de 2015, chegou a ganhar um prêmio pela iniciativa.

“Minha ideia é bem simples e viável. O objetivo é que esse óleo retirado dos imóveis seja destinado à reciclagem para a produção de biodiesel. Esse material depois pode ser revertido para o benefício próprio, pois esse tipo de combustível já pode ser usado em geradores de energia e até em alguns veículos. Ou seja, pegamos um problema e revertemos ele na solução para diminuir a poluição e o aquecimento global, pois reduz a emissão de CO2”, diz.

Segundo Silva, a construtora Queiróz Silveira apoiou o projeto e já faz as adaptações em um prédio que está em construção no Setor Marista, em Goiânia. “Esse prédio será o primeiro a ter esse sistema de descarte correto do óleo. Depois, a construtora já planeja instalar o sistema em um shopping, que será construído no Novo Mundo. Esses projetos serão inovadores e sustentáveis, pois todo o óleo descartado poderá ser revertido em benefícios para os próprios imóveis”.

Ele diz que já apresentou o projeto à Secretaria do Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima) de Goiás e busca ampliá-lo para o uso em residências e até mesmo em escolas.

“Eu conversei com o secretário do Meio Ambiente e ele disse que o projeto é inovador e poderia ser implantado em prédios públicos, por exemplo. Neste caso, o descarte do óleo seria manual, ou seja, seria necessário que o material fosse colocado em garrafas ou algum outro recipiente e jogado no tanque. Depois, o caminhão faria a coleta. Até os alunos poderiam recolher esse óleo usado nas suas casas e descartar no local. Ainda sigo no aguardo de apoio para ampliar a aplicação do projeto”, ressaltou Silva.

Em nota enviada ao G1, a Secima confirmou que o secretário Vilmar Rocha teve conhecimento sobre a ação e sugeriu que fosse criado um projeto para implantação nas escolas públicas. No entanto, essa ideia deve ser apresentada para análise da Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce).

Reaproveitamento de madeira
O alto número de madeiras usadas nas construções civis também passou a ser uma preocupação na capital. Desde 2009, a construtora EBM desenvolve o Programa de Consumo Responsável de Madeira, que visa reduzir o uso, fazer a reciclagem e também o descarte correto do material.

“Tudo começa com a compra de madeira certificada, ou seja, que atende aos requisitos legais de sustentabilidade. Esses certificados garantem que o recurso natural é extraído de acordo com as leis que determinam a redução dos impactos ambientais. Apesar de ser entre 30% e 40% mais cara, essa madeira nos dá a garantia de que é feito o reflorestamento e isso vale a pena”, explicou ao G1 a representante da direção da EBM Larissa Oliveira Dantas.

Projeto promove reciclagem e descarte correto de madeiras usadas em obras, em Goiânia, Goiás (Foto: Divulgação)

Projeto promove reciclagem e descarte correto de madeiras usadas em obras, em Goiânia (Foto: Divulgação)

Segundo ela, além da aquisição dessa madeira certificada, é desenvolvido um trabalho de campo, para que os trabalhadores da construção civil façam o manuseio e descarte corretos da madeira.

“Nós adotamos nas obras essas medidas para o maior reaproveitamento e também a separação dos diferentes tipos de resíduos. Em todas as obras existe um espaço onde esse material é colocado e tudo aquilo que pode ser reutilizado é separado dos descartáveis. Assim, tudo o que pode ser reaproveitado vai para proteções de áreas de segurança dos canteiros, como bandejas, guarda-corpos e aberturas de pisos. Também separamos a serragem e estacas”, explica.

Ainda de acordo com Larissa, em 2012 o consumo de madeira nas obras caiu de 3.216 metros cúbicos em 2012 para 1.389 metros cúbicos em 2014, o que representa uma redução de 56,8% em dois anos. Já em 2015 o consumo foi de cerca de 735 metros cúbicos de madeira.

“Atualmente temos cinco grandes obras em andamento em Goiânia e em todas elas seguimos com esse projeto. Ele é muito importante para a redução do uso desenfreado de madeira e os nossos funcionários já trabalham com essa questão ambiental. É uma ideia que deve ser copiada, pois traz benefícios para o meio ambiente”, ressaltou.

Fossa ecológica 
A falta de saneamento básico em algumas cidades é um problema que afeta diretamente a saúde dos moradores e prejudica o meio ambiente, principalmente quando o esgoto cai nos rios sem o devido tratamento. Um dos recursos que podem ser usados nas moradias são as fossas, mas estas demandam uma série de cuidados para que as galerias de água pluvial não sejam contaminadas.

Uma solução para essa questão é o uso da fossa bioséptica, ou fosse ecológica, que pode ser construída de forma barata e sustentável. Um modelo com materiais reciclados foi implantado em uma praça no Setor Marista, construída pela Consciente Construtora e Incorporadora em parceria com a Prefeitura de Goiânia.

Fossa ecológica foi instalada em praça para servir de modelo, em Goiânia, Goiás (Foto: Fernanda Borges/G1)

Fossa ecológica foi instalada em praça para servir de modelo, em Goiânia (Foto: Fernanda Borges/G1)

A fossa ecológica ocupa um espaço de 10 metros quadrados, com uma profundidade de 3 metros e recebe os resíduos gerados nos banheiros públicos do Espaço Cultural Atílio Corrêa Lima, instalado na praça.

“Criamos esse espaço para mostrar para a sociedade como a sustentabilidade pode ser implantada sem que os custos das obras fiquem elevados, já que muitos materiais reciclados podem ser usados. No caso da fossa bioséptica, esse modelo já é antigo, mas ainda não é muito usado. Queremos mostrar que ele é eficiente e pode ser uma alternativa para resolver esse problema grave de saúde pública que é a falta de tratamento de esgoto”, explicou o presidente da Consciência Construtora e Incorporadora, Ilézio Inácio Ferreira.

Segundo ele, a fossa ecológica pode ser feita em um pequeno espaço e, por ser impermeabilizada, não gera riscos para a rede de água.

“Depois de feito o buraco no chão, que deve ter pelo menos 3 metros de profundidade, deve-se construir as paredes com tijolos comuns e passar argamassa impermeabilizante. Depois, devem ser jogados cerca de 80 centímetros de pneus velhos e, por cima, restos de construção civil, como tijolos quebrados, etc. É importante que fiquem vãos entre os materiais para que os dejetos entrem lá”, explicou.

Em seguida, a fossa deve ser coberta com cascalho comum e por uma camada de areia, que faz a filtragem e não deixa a terra descer. “Aí é só finalizar com terra orgânica, de boa qualidade, para que possam ser plantadas algumas plantas. A mais ideal é a bananeira, que precisa de muita água e nutrientes. Ela vai absorver todo o material da fossa, que vira uma espécie de adubo, fazendo com que todos os dejetos sumam”, destacou.

Ferreira diz que os custos para esse tipo de fossa giram em torno de R$ 1,5 mil a R$ 1,8 mil, não muito além das tradicionais, e que traz muitos benefícios ao meio ambiente. “Além de deixar o esgoto a céu aberto, o morador passa a ter um espaço com plantas, que podem até gerar frutos, como a bananeira. Goiabeiras, mamoeiros também podem ser usados. Nosso objetivo é mostrar que existem soluções sustentáveis para as obras e que elas são possíveis”, concluiu.

Praça com diversos aspectos sustentáveis foi construída no Setor Marista, em Goiânia, Goiás (Foto: Fernanda Borges/G1)

Praça com diversos aspectos sustentáveis foi construída no Setor Marista (Foto: Fernanda Borges/G1)

Fonte: G1

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